Som do céu, som da terra

Tenho participado na Páscoa nos últimos anos, de um evento maravilhoso (20 anos já) chamado Som do Céu, idealizado por Marcelo Gualberto e promovido por Mocidade Para Cristo em Belo Horizonte. Este ano tive a alegria de ver a diversidade de “sons” e grupos de diversos lugares do Brasil, mostrando a ilimitada criatividade que Deus concedeu a seus filhos para a adoração e evangelização através da música e das artes.

Foi também um encontro emocionante onde prestamos um tributo a Sérgio Pimenta, um dos maiores compositores cristãos brasileiros, já falecido, que tem influenciado várias gerações através de gravações dos Vencedores por Cristo, Grupo Semente, cantatas gravadas pela IBMorumbi e GKerr Produções e vários outros artistas.

Guilherme Kerr, um dos precursores da música cristã brasileira, grande poeta, compositor cristão e pastor, esteve também presente cantando e pregando, além de Vencedores por Cristo, Expresso Luz, Cia de Jesus, Banda MPC, Cíntia e Sílvia, Quico Fagundes e Toninho Maia, Céu na Boca, Baixo e Voz, Carlinhos Veiga e Sal da Terra (de Garanhuns).

Vários nomes destes citados acima, a nova geração infelizmente não conhece (talvez o próprio leitor), porque são músicos que normalmente não tem espaço na mídia gospel evangélica, apesar de vários anos na estrada e trabalhos coerentes. Músicos que merecem nossa consideração e atenção, pois tem resistido à tentação do sucesso e fama a qualquer preço.

Até por que, em sua grande maioria, não são artistas contratados pelas grandes gravadoras atuais, gravadoras que, com exceções claro, tem desenvolvido um trabalho superficial, cosmético, sem proposta ministerial ou musical, mas muito mais comercial e disfarçada pelo marketing não ético e mentiroso. Falamos tanto em trabalho e mover profético em nossos dias, mas nos tem faltado coragem de “denunciar” e “alertar” profeticamente uma geração que vai sendo cada vez mais comprometida negativamente.

Infelizmente, os próprios músicos e grupos cristãos tem sido coniventes com esta situação, para não queimarem seus filmes, ou por que aspiram ainda uma “boquinha” que os tire do anonimato e ostracismo. Ninguém quer ficar contra os que detém o poder de influência e o poder econômico nesta área.

Temos uma geração pouco comprometida, pela falta de poucos referenciais sérios em integridade e excelência, coerência de testemunho e perseverança em “não abrir mão do conteúdo da mensagem” desafiadora e radical do evangelho de Jesus, ou de uma música a serviço da mensagem. Ou com a própria música que, por ter sido feita ou executada com beleza e criatividade, “anuncia os atributos Daquele que os compartilhou com suas criaturas” como escreveu C. S. Lewis.

Ironicamente (afinal as “pedras estão clamando e cantando”), músicos não cristãos estão cantando cada vez mais a verdade do evangelho, do que muitos que ocupam o espaço evangélico, demonstrando sua constante busca e insatisfação existencial e espiritual. E nós, os do próprio meio, brincando de esconder e camuflar a mensagem e de condenar “os músicos do mundo”, que são alvos da mesma Graça Divina. Ensinemos nossos filhos a reter o que é bom e não a beberem de qualquer coisa que venha de forma musical ou através de pregação, só por que se autodenomina evangélico.

Mas, há sinais de esperança e refrigério! Ao contrário do que vemos aí, temos trabalhos tão bonitos e coerentes como o do Grupo Sal da Terra (sanfona, chapéu de couro e espírito missionário) e o do Carlinhos Veiga, com sua viola e alma goiana, fazendo um dos trabalhos mais bonitos e coerentes de nosso país, genuíno Som do Céu através do Som da terra na Terra, repleto de cultura e beleza, com mensagens verdadeiramente proféticas, que nos inspiram a adorar e evangelizar com nossa herança e amar a Deus em Sua beleza.

Vão cantando e anunciando o que teremos diante e ao redor do Trono de Deus, representantes de toda raça, tribo, língua e nação, adorando e cantando com suas vestes culturais junto com os anjos que Deus é Santo, Santo, Santo! Isso traz ao nosso coração alento e esperança, tem caminho de vida ainda para nossa nação, Deus está resgatando a cultura e a arte em geral para a Sua glória.

Nos mesmos dias de Páscoa em Belo Horizonte, também se realizava o encontro de adoração do ministério Diante do Trono, onde com alegria, vi Ana Paula Valadão e outros irmãos com testemunhos vibrantes, relacionando sabiamente a adoração com a obra de missões urbanas e transculturais, e um outro encontro na Igreja Getsemani, onde Adhemar de Campos ministrava e tocava em meio a um desafio ministerial de trabalho pastoral com filhos de pastores, preocupação que cresce em nossa nação.

Enfim, sopros divinos do Som do Céu, sons do coração de Deus, inspirando e ecoando no coração e criatividade de homens e mulheres que fazem o Som da Terra, comprometidos com a expansão de Seu reino e da manifestação de Sua glória em toda a terra.

Que o Senhor se agrade das intenções do coração em nossos louvores, manifestações artísticas e testemunho em missões! Que vejamos cada vez mais o mover de Deus nas artes em geral em nosso país e um povo quebrantado adorando e servindo ao Pai!


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1 Comentário(s)

  1. Tive a oportunidade de ouvi o CD. Acho que não escutei CD tão emocionante quanto esse. Coisa de Deus mesmo. A música de Sérgio Pimenta foi perfeitamente interpretada numa diversidade de ritmos, formas e tons característicos dele mesmo. Insentivo a todos os que apreciam a muito boa música e sentem saudade dos bons tempos…

    Bruno Dias | 19 de setembro de 2008 | Comentar

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