Gato por lebre!

Estamos vivendo um tempo onde enganar, usar a boa fé das pessoas e usar músicos internacionais para dar uma alavancada em carreiras nacionais está se tornando uma constante. Em alguns casos até daria um processo pelo Código de Defesa do Consumidor por estarmos comprando nestes shows algo que não desejaríamos ouvir, isto é, trocando “gato por lebre”.

Novos empresários de plantão se multiplicam, querendo aproveitar estas “boquinhas”. Vendem o espaço muitas vezes, ou convidam pessoas e líderes da cidade para uma “política de boa vizinhança”. Estes expostos começam a colocar suas idéias doutrinárias e compreensão da música e adoração repleta de distorções e isto antes de shows.

Alguns que tem maior prestígio ou força político-financeira conseguem inserir seus artistas precedendo estes eventos, enfiando-nos pela goela, ou melhor, pelos ouvidos, produtos e artistas de musicalidade e ministério discutível.

Isto tem acontecido também nos eventos e congressos de adoração no país, onde são escolhidos ministradores e músicos de conteúdo teológico e doutrinário distorcidos da Palavra de Deus. Mas não há ninguém e nem fórum que os avalie.

Lamentável. Profundamente lamentável. Alguns eventos que seriam oportunidades para levarmos pessoas não cristãs e cumprirmos nossa missão de testemunhar, pregar com integridade e excelência são desperdiçadas. Que se dane a missão (!!!), o que importa é faturar e ganhar espaço na mídia e promover seus artistas.

Quando faremos um fórum (ou vários) onde se discuta a ética e moral deste pano de fundo que tomou conta da adoração e música em nosso país, onde a indústria definitivamente se instalou? E pior ainda, vendo estes artistas e líderes se tornarem mentores desta nova geração? Os estragos já foram feitos e já temos seqüelas do que tem sido plantado.

Termos fóruns de discussão é uma sugestão para os congressos de adoração e música que se espalham no país, ou também para os que participam de eventos ou feiras, como a recente Expo-Cristã, em São Paulo, definida pelos jornalistas como o maior evento e exposição de produtos evangélicos na América Latina. Momento propício para discutirmos regras de comércio, divulgação, vendas, relacionamentos empresa/artistas, relacionamentos e ética nas livrarias e pontos de venda, programas de rádio e TV, inclusive virtual, direitos autorais e conexos (ECAD), pirataria, etc.

Voltando ainda ao tema deste artigo, em alguns eventos e shows que tem acontecido, algumas vezes até os próprios não-cristãos compram seus ingressos, pois o artista tem transito e admiração no mundo secular e não somente no religioso (caso do TAKE 6). E com isso esperam participar de um show sem constrangimentos dos discursos atuais dos que se chamam de evangélicos (que evangelho professam???).

Vide, por exemplo, o show de Michael Smith ocorrido recentemente no Brasil, sendo precedido por líderes destemperados, pulando, berrando, amarrando Satanás, declarando que a cidade “é do Senhor Jesus” (que visão imatura e irresponsável!), dando um péssimo testemunho para os não-cristãos e dando demonstrações de desequilíbrio e insanidade.

Enquanto muito se fala, a dinâmica da cidade vai desmentindo esta declaração precipitada, com tanta injustiça, opressão e violência, pois não fazemos diferença para mudar este quadro das grandes metrópoles, com agradáveis exceções e trabalhos. Graças a Deus por estas como Visão Mundial, Compassion, CENA, JEAME, AEB, Projeto Integrarte, Exército da Salvação, etc

Muitos destes líderes e músicos presentes em shows não percebem os sinais de morte, injustiça, opressão espalhados pela cidade, onde como igreja, deveríamos sim declarar o senhorio de Cristo vivendo com coerência o evangelho, dando bom testemunho em obras de misericórdia e justiça humana, declarando nossa indignação com todas as formas de anti-vida que se instalaram na cidade e na própria igreja, igreja que, como ekklesia-chamada para fora- deveria fazer sua agenda em cima de sua missão.

Líderes e comunidades locais que, se é que percebem o que acontece, vivem na omissão da adoração horizontal, encarnada, que deveria nos levar a amar e servir ao próximo como Jesus e Tiago nos ensinaram, com ações intencionais e sérias, e não promovendo somente shows de música gospel, chamando ainda encontros de adoração, quando na verdade nada mais são do que entretenimento.

Este eventos–shows estão se tornando comuns no Brasil inteiro, e vem recheados de apresentações de grupos “cover” dos originais, que não são anunciados nas vendas dos ingressos. Engana-se o consumidor que paga para assistir, sim, os que aqui no Brasil aportam e são admirados pelo seu trabalho e ministério musical competente e reconhecido.

Fui assistir há alguns anos atrás a apresentação de um artista internacional evangélico numa igreja local, igreja que vendeu ingressos para assistirmos a um show dele, artista que, como conhecíamos, tinha (e tem) uma boa visão ministerial e uma boa música, reconhecido em vários países. Entretanto, ao chegarmos e entrarmos no auditório, fomos surpreendidos por alguém nos enrolando, berrando e insistindo que “___não viemos aqui para assistir um show, mas para um culto”…”. Não repare no som, ou em qualquer falha técnica, continuou ele…”.

“- Viemos sim a um show (protestei eu)…..e paguei bem pago!!!”

Senti que estava sendo enganado, pois comprei um ingresso para um show e não para um culto público aberto sem bilheteria. Mentiram em nome de uma “falsa piedade e ambiente santo” e contaram com a ingenuidade de sempre do povo, que participa destes encontros com suas genuínas intenções, desejando ver o artista e adorar a Deus.

Pior, fui obrigado a ouvir o grupo da própria igreja cantar mais de uma hora musicas traduzidas dos próprios CDs do artista internacional (um péssimo “genérico” do original), em versões ruins e de qualidade musical bastante discutível. Ainda não tinha acabado quando veio o golpe de misericórdia que me colocou o “boné de idiota”, pois vi entrar o artista internacional para tocar 3 músicas, como se estivesse fazendo algo “complementar” àquela apresentação e se despedindo logo após. Fiquei com uma desconfiança que o artista, que é sério, adorador e discípulo, com ministério reconhecido mundialmente, não foi informado do que ali de fato aconteceria. Veio para servir e serviu, em sua singeleza e simplicidade. Mas foi usado para outros propósitos, infelizmente.

Olhando esta realidade da igreja pós-moderna, onde a verdade cada vez mais se esconde, buscando fama e relevância a qualquer custo, não incentivemos falsos mentores com suas distorções. Isso é o que está acontecendo em nosso meio musical e da adoração e arte cristã no Brasil, reproduzindo o que acontece de pior lá fora. Os estragos já estão aí, dando seus sinais.

Termino este artigo, mostrando o prejuízo já presente na nova geração. Fui apresentado a uma pessoa importante do norte do país que depois me apresentou sua filha (13 anos somente). A filha, ao descobrir que eu era músico e produtor, e que tinha um programa de rádio, sacou rapidamente de sua bolsa “seu cartão” onde estava escrito: Fulana de tal, cantora evangélica, artista renomada, fone/fax para contato, festas, eventos, shows, cultos, e-mail e TELEVENDAS …..ai, ai, ai,… Que tristeza, mal orientada, mal mentoriada, mal discipulada, à mercê do que tem sido veiculado na mídia e em sua própria cidade natal. Que os trabalhos sérios de formação cristã da juventude em nosso país, voltem a ganhar espaço em nossas igrejas.

Que eu e você tomemos cuidado e não troquemos gato por lebre, naquilo que temos escutado e ouvido, e em eventos que poderemos ou não participar. São tempos difíceis, nada alentadores. Apelo aos que tem ministérios reconhecidos de adoração e música, para que não vendam suas consciências e não abandonem a verdade e a Verdade do evangelho! Que Deus nos dê graça!


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