Amizades duraduras no meio musical e na adoração

Ouvi de um músico profissional experiente não cristão anos atrás, que era muito difícil construir relacionamentos de amizade no meio musical e artístico secular. Ouvi esta mesma frase de outro músico cristão que milita no meio evangélico há vários anos, entendendo que no meio artístico musical ou mesmo no ambiente que deveria ser propício para o louvor e culto a Deus, o culto ao ego e a competição são sinais presentes que impedem a amizade sincera e também longas parcerias em projetos e ministérios na adoração.

 

Este culto ao ego e à competição são incentivados pelas gravadoras e marqueteiros de plantão, na disputa de espaço na mídia e também no seu bolso, já que transformamos antigos ministérios iniciais em produtos comerciais e o povo a ser ministrado em povo a ser sensibilizado para a compra. Tem até troféu e prêmios distribuídos “aos melhores”, o Cd com “maior unção” (já inventaram medidores para unção?), o “melhor grupo de louvor” (absolutamente contraditório), o maior coral da América Latina, etc. Falta o troféu de “o mais humilde e consagrado” para aviltar e ridicularizar mais ainda nossa percepção e inteligência. Normalmente se premia “os da casa”, os do “próprio cast”, numa “escolha limpa, legítima e imparcial”. E não ficam nem mais vermelhos quando dizem isto.

 

O culto ao ego e a competição geram rompimentos, geram um caminhar e criação cada vez mais individualista. É só ver os inúmeros grupos e ministérios que “mudam anualmente” suas formações, picados por este triste vírus da competição e do comércio. Foi o tempo em que víamos a mesma formação por anos seguidos, tempos de simplicidade, tempos de perceber que é melhor serem dois do que um, tempos de uma alegria e disposição em fazer algo juntos, tempos de amizades duradouras.

Hoje os “trabalhos solo” de alguns escondem questões mal resolvidas, pessoais e relacionais com outras pessoas e com gravadoras; e ainda geram atitudes “espiritualizadas” de que não havia mais espaço para a “minha criatividade” ou minha visão.

 

Em minha experiência de pastoreio e acompanhamento de músicos, percebi que gastei muito tempo tentando “administrar egos”, ao invés de tentar que criassem relacionamentos duradouros para servir na igreja ou para projetos artísticos e musicais de impacto que poderiam beneficiar o reino na proclamação das boas novas. .Escreveu meu amigo Sérgio Pimenta em uma de suas canções, que muitas vezes o que fazemos é “alimentar um culto auto-hedonista”, onde adoramos “nossas criações” e não mais o Criador que nos capacitou para a criação. Isto reflete o coração enganoso e corrupto e também um sinal de uma espiritualidade construída de forma inconsistente no discipulado recebido pessoalmente ou comunitariamente.Falta a visão correta do ser discípulo, do ser adorador, do ser servo através da capacitação artística, do talento, do dom que recebeu de Deus para ser usado na edificação da igreja, na adoração, na evangelização e também, no exercício profissional. Um músico adorador bem discipulado entende quem é de fato, entende que precisa viver debaixo de princípios que regem uma ética cristã e uma moral condizente com o evangelho que abraçamos.

Falta consagração e transformação pessoal no homem interior, necessidade urgente no meio musical e na adoração, necessidade de buscarmos ser mais parecidos com Cristo e menos com a “imagem veiculada pela mídia”. Consagração e transformação pessoal é fruto de compromisso e discipulado constante com os músicos e artistas que surgem em nossas comunidades e em nosso meio.

Quem está mentoreando e influenciando os músicos de nossas igrejas? Quem são os referenciais desta geração que já se desenvolve numa perspectiva de sucesso ou fama a qualquer preço? A quem os músicos e artistas tem prestado conta na comunidade ou durante o desenvolvimento de “sua carreira” ou de sua vida espiritual? Porque não temos conseguido construir amigos nesta caminhada?

Precisamos urgente de fóruns e congressos para discutirmos estas coisas que pegam em nosso calo, em nossa consciência pela omissão de tocarmos nestes assuntos que trazem desconforto para nós e para gente do meio musical e da adoração. Temos que nos arrepender, voltarmos para o primeiro amor, para as motivações corretas, para o discipulado consistente e compromissado, que vai criar alicerces saudáveis para a construção de sólidas amizades.

A chamada para o discipulado envolve, perda e ganho, humilhação e autenticidade, a verdade e não a mentira, busca do interesse do outro, serviço ao próximo, adoração somente a Deus. O discipulado:

  • É um chamado individual e comunitário para conhecer e andar com Deus.
  • É um chamado para a transformação pessoal.
  • É um chamado para uma nova espiritualidade.
  • É um chamado para a construção de relacionamentos profundos e duradouros nos ministérios onde estamos envolvidos.
  • É um chamado para o serviço

Que o Pai nos ajude a conversarmos sobre estas coisas no lugar e circunstâncias em que temos tentado servi-Lo.


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