Adoração e Mordomia Cristã

Um dos conceitos básicos da fé cristã é que, como adoradores, somos responsáveis por zelar e cuidar da vida que Deus nos concedeu. No Gênesis, o homem foi colocado pelo Senhor como mordomo da criação, mas perdeu esta capacidade de cuidar dela pela queda (Gn 3) através do pecado. Desistindo de adorar, deixou de cuidar das coisas de Deus.
A salvação em Cristo trouxe de volta esta dimensão e perspectiva existencial, de cuidarmos e desfrutarmos da criação, relacionando a adoração com mordomia, em todas as áreas de nossa vida. Temos então que resgatar este cuidado por tudo que Deus nos deu e continua dando por Sua graça e amor, pois Ele é um Pai amoroso que tem prazer em nos compartilhar “toda boa dádiva”. Temos que cuidar e zelar como mordomos:

a. Pela criação.
“No princípio criou Deus o céu e a terra” Estas são as palavras de abertura da Bíblia. Na mesma narrativa de Gênesis, fala que nós, ao mesmo tempo que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, ele nos deu domínio sobre o restante da criação. Somos instrumentos cruciais de preservação e de cuidado com a natureza e com o ser humano. É uma tremenda responsabilidade e privilégio sermos mordomos da criação.

  • Deus diz à humanidade na narrativa da criação que “sujeite a terra, cultive e a conserve”, assumindo sua administração e respondendo por ela diante Dele. Ser mordomo é cuidar da propriedade para a outra pessoa. “Não tem direitos legais sobre ela mas está encarregado dela e responsável diante do proprietário” (Bruce Milne). Na linguagem bíblica, a humanidade é co-herdeira da criação.
  • Nosso ambiente é a matéria prima para a nossa sobrevivência e prosperidade, mas não é inesgotável e ilimitado. Estamos à nossa própria custa, e descobrindo por causa de sociedades industriais altamente complexas que as futuras gerações enfrentarão a perspectiva de um mundo falido e exaurido. Esta foi discussão presente no último fórum social em Porto Alegre. Nossa geração levará parte desta culpa por agir irresponsavelmente e de maneira egoísta com os recursos naturais do mundo.
  • Os problemas da humanidade são imensos e uma contribuição cristã não é apenas possível, mas necessária. Relativismo e individualismo são inimigas desta ação. Somos como adoradores, agentes de transformação e temos que descobrir e balizar caminhos para o serviço cristão.

Andrew Kirk, missionário e professor, que trabalhou anos com a Intervarsity (ABU), destacou num encontro em Londres que, como criaturas das mãos de Deus, temos que nos envolver com o cuidado da criação, e contribuir para a sua não deterioração, tanto no contexto próximo onde estamos inseridos(nossa cidade e país), como nas questões ambientais mundiais.

Muitos cristãos, profissionais liberais, músicos e artistas lideram hoje ONGs e projetos sociais, participam de movimentos de preservação em diversas frentes, com causas que temos que abraçar, dando testemunho de nossa fé em Cristo, numa ação e prática social dentro da perspectiva cristã sobre cada assunto. Howard Snyder sugere alguns exemplos de possível atuação contínua:

  • Preservação da natureza
  • Reciclagem de lixo
  • Cuidado com a água ( limpeza)
  • Saneamento
  • Cultivo e exploração adequada da terra
  • Instalação de filtros antipoluentes em fábricas.
  • Desenvolvimento de motores que poluam menos.
  • Controle e qualidade de alimentos
  • Programas de desarmamento
  • Não violência na família e na sociedade.
  • Projetos culturais que busquem sanidade emocional e mental.
  • Manifestações artísticas educativas.

b. Pelo nosso corpo.
Somos responsáveis pelo corpo que recebemos de Deus, habitação do Seu Espírito. Cuidando dos agentes externos que vimos acima, somos muitas vezes negligentes com nosso corpo quando não o exercitamos e não controlamos nossa alimentação, tanto em qualidade como em quantidade. Isto também é pecado, mas parece que somos tolerantes neste aspecto. Tratar de disfunções orgânicas, por exemplo, faz parte do cuidado desejável, como também a busca por uma melhor qualidade de vida. Lazer e descanso é fundamental. Tempo sabático tem sido negligenciado pelos cristãos e pela igreja, que se envolveu num ativismo desgastante. Enfim, um caminho enorme temos para projetos educacionais e preventivos de orientação.

c. Por nossa mente e coração.

Paulo escreveu em Romanos 12. 1 e 2 que somos responsáveis em abastecer nossas mentes e corações com a Palavra de Deus. O cultivo da espiritualidade não pode ser negligenciada. O salmista recomenda a disciplina da leitura e meditação (Salmo 1); precisamos buscar conhecimento e cultura, reflexões cristãs sobre todos os assuntos da vida, caminhos saudáveis para cultivarmos nossa mente e a mente de Cristo que está em nós (1 Co 2). Jesus escreveu que se nossos olhos forem bons, todo o nosso corpo será, portanto, zelar pelo que entra através deles. É uma promessa de vida saudável e abundante em nossa mente e coração.

d. Por nossos relacionamentos.
Toda a nossa vida é relacional. Primeiro com Deus, com a criação, com a família (relação marido e mulher, filhos) com a sociedade, com o próximo e conosco mesmos. Temos que buscar entendimento numa vida mais reta e justa, convivência pacífica, tolerância, exercício do amor, perdão, compaixão e comunhão e todas as dimensões da mutualidade cristã, que prevê até a dinâmica com nossos inimigos ou que fazem mal a nós (orar e abençoar os que nos amaldiçoam, retribuindo o mal com o bem. etc). Cuidado com uma vida comunitária bíblica e saudável é importantíssimo também neste item.

e. Por nosso dinheiro.
O princípio correto, é que “o dinheiro não é nosso, mas de Deus” (Tudo o que somos e temos é Dele). Ele provê o sustento necessário por sua fidelidade e cuidado, não só para nossa manutenção digna, mas para abençoarmos a outros e até a prosperidade deve ser entendida neste prisma. O Dr.Russell Shedd pregou num culto missionário em 2001 que Deus nos abençoa para abençoar a outros, para repartir e não para ajuntarmos individualmente tesouros na terra e sermos mesquinhos.

Dízimos e ofertas são respostas de obediência, compromisso e amor a Deus, que trazem os recursos necessários para o sustento da obra de Deus, seja na igreja local, em missões, obras sociais, e que contribuem para a expansão do Reino de Deus. Dar e repartir é investir com Deus, ato contínuo de sacrifício, generosidade e sensibilidade e liberalidade que deve ser praticado com alegria.
( Rm 12.13; 2 Co 9.12; Dt 15.7-8, Lc 16.10.13; 2 Co 8.12; 2 Co 9.6-7; Pv 19.17; Lc 19.17; Mt 6.19-21; 2 Co 8.1-5)

f. Por nossos sonhos e projetos ministeriais e profissionais.
Deus nos chamou como adoradores mordomos, para servir a Ele e ao próximo. Dentro deste prisma, nossa vocação, chamado e trabalho, habilidades e dons, foram dados por Deus para o coletivo e bem comum, para testemunho de Sua existência e presença, para a manifestação de Sua glória (1 Co 10. 31; Col 3.17). Busquemos com diligência, como adoradores, músicos e artistas, este saudável caminho de adoração.


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